segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ruas abstractas


As ruas abstractas, nas quais a vida caminha sem destino.
Deambula por entre pessoas sem cara, sem propósito de existência. 
Coitadas, sem destino.
Os transeuntes pisam os paralelos meticulosamente encaixados, que, pobres deles, não os levam a lado nenhum.
Eles acham que têm cara, mas não têm nada.
São só peões que caminham nas ruas abstractas, onde a vida deambula, dia e noite, sem destino.
Sem uma casa para onde regressar, sem ninguém que a espere.
E, entre os dias que voam, os transeuntes acabaram por ser devorados pelo próprio pai, sem que este o consiga evitar.
Pobres coitados
Que caminham nos paralelos encaixados
Na direcção da morte.
Porque as ruas abstractas ensinam o caminho para o fim da vida. 
Que não tem destino.



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