quinta-feira, 1 de novembro de 2012

erased

Um destes dias vi um filme, já recomendado há algum tempo por um amigo.«Eternal Sunshine of the Spotless Minds». Gostei do filme, sinceramente. Mas entretanto, não o percebi. A única coisa na qual eu conseguia pensar depois de o ver era "porque é que alguém iria querer apagar da memória alguém que amou, apesar de tudo?".
Por mais objecções e argumentos, já pensei bastante nisto e acho que realmente não faz sentido.
Por pior que tenha sido a relação, verdade seja dita: há sempre aqueles pequenos momentos, aquelas paragens de tempo onde a tua mente esvazia e a única coisa que interessa é aquela que está à tua frente. Uma troca de promessas, carícias, o momento em que amaste tanto que doeu. Ou dói.
E sim, sei que essas memórias são o pior de tudo. Mas não são.
Foste feliz. Amaste alguém e foste amado.
Não é algo que se queira esquecer, de todo.

sábado, 20 de outubro de 2012


às vezes gosto de deprimir. eu sei que parece ridículo, eu própria o assumo. quer dizer, eu não sei o que é a depressão no seu verdadeiro e profundo sentido, só que parece o termo mais adequado.

é que quando "deprimo" ouço música deprimente, música com história, que alimenta ainda mais a "depressão".
daí eu parto para as memórias; e adoro.
adoro lembrar-me daquela noite em que tudo era jovem, despreocupado, sem responsabilidades. e vivemos como loucos, como os loucos e jovens que devíamos ser;
adoro lembrar-me das noites de cinema, em que ria como se amanhã fosse o fim do mundo e eu tivesse que rir tudo hoje;
adoro lembrar-me de quando vos conheci; adoro aperceber-me de como não consigo fazer mais amigos porque sinto como se fosse uma traição;
adoro lembrar-me dos meus 18 anos. loucura, loucura;
adoro estas memórias. são memórias, mas fazem-me feliz. fazem-me feliz porque sei que podem existir muitas mais. sei que vão existir muitas mais.
é a minha família. são a minha família. e por eles faria o impossível.
todos os dias agradeço a vossa presença na minha vida.
uns vão, outros ficam; vocês vieram e não vão embora, e ainda bem que assim é.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

dilacerou-se à minha frente. eu, impotente, inerente ao acontecimento, assisti desde o início. rasgou-se em inúmeros panos que ficaram no chão, prontos a ser (re)calcados por quem os separou. prontos a fazerem de tapete aos que caminham em cima da nossa consciência, evitando sujar os próprios sapatos. proliferei-me em mil ventos e desencadeei uma luta de tormentos. grandes deuses disputam agora por atenções e pregam as suas doutrinas - contudo nunca tomei posições.


"dois lobos lutam. esses dois lobos são o Mal e o Bem.", "qual deles ganha?"
"o que alimentares", já dizia o outro.


tem razão.

sonhos inebriantes cortam-me a respiração à medida que adormeço. susceptíveis a serem intercalados por murmúrios tristes e solitários de almas cujo coração amou alguém uma vez, reproduzem, uma e outra vez, a intensidade do teu olhar. o modo como eles fitam os meus é tresloucado. então os murmúrios tristes e solitários de almas cujo coração amou alguém uma vez desvanecem na noite com os fantasmas de um amor que outrora ardia no escuro. no final é a isso que tudo se resume. uma chama apagada, deixando para trás um cheiro a fim.